sexta-feira, 8 de abril de 2016

SOLDADO ANDRÉ PEGGAU JUNIOR




Hoje destaco aqui no blog a participação do meu tio-bisavô André Peggau Júnior na Revolução Constitucionalista de 1932. Nascido em 12 de outubro de 1904 na cidade de Brusque, Santa Catarina e filho de Andreas Peggau e Emilie Peggau. Ainda criança mudou-se com seus pais e seus 7 irmãos para a cidade de Santo Amaro. Motorista de profissão, em julho de 1932, aos 27 anos de idade, já casado e pai de uma filha, alistou-se como voluntário na Companhia Isolada do Exército de Santo Amaro (CIESA) na qual recebeu o número de alistamento 43. Durante toda a campanha Constitucionalista esteve com a CIESA inclusive nos combates dos quais tomou parte a Companhia no Vale do Ribeira. Enquanto isso, sua esposa e filha recebiam, em Santo Amaro, o amparo da Comissão Central de Abastecimento e da Cruzada Feminina da cidade. A elas eram entregues mantimentos necessários ao sustento da família enquanto o soldado André lutava por democracia e liberdade às margens do Rio Ribeira. Faleceu em 06/02/1954 aos 49 anos.

sexta-feira, 11 de março de 2016

MONUMENTO MAUSOLÉU AO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA DE 1932



As primeiras ideias de construção de um monumento em homenagem aos mortos paulistas da Revolução de 32 surgiram no ano de 1934. Em 1935 foi criada uma comissão composta por ilustres paulistas: a Comissão Pró-Monumento (presidida pelo médico Dr. Benedito Montenegro) destinada a angariar fundos para a consecução do projeto. Em 1936 abriu-se concurso público para a escolha do projeto arquitetônico da obra. Venceu o projeto apresentado pelo arquiteto italiano Galileu Emendabile que tinha o nome de “32”.

Galileu Emendabile

A obra “32” tratava-se de um verdadeiro complexo arquitetônico composto de três partes: o obelisco, a praça sobre a qual se assenta o obelisco e a cripta subterrânea, ou mausoléu, a qual guarda os restos mortais de ex-combatentes e líderes da Revolução Constitucionalista de 1932.

Escolhido o projeto, muitas dificuldades encontrou a Comissão Pró-Monumento para dar início às obras. A ditadura Vargas, por razões óbvias, de tudo fez para impedir que o projeto escolhido no concurso saísse do papel. Somava-se a essa dificuldade a questão do custo total da obra. Em 1947 recursos do tesouro do Estado e doados pela população somavam a quantia de 9 milhões de cruzeiros. Entretanto, a elevação dos custos de material e mão-de-obra tornavam ainda impraticável o início da construção. Apenas em 1950, mesmo sem o dinheiro total necessário à conclusão da obra e já se encontrando o país sob regime democrático, é que foi colocada a pedra fundamental da construção do monumento. Em janeiro de 1954, por ocasião das comemorações do 4º Centenário da Cidade de São Paulo, o monumento foi precariamente inaugurado.

Primeira inauguração do monumento em 25 de janeiro de 1954

A inauguração foi concorridíssima pela população de São Paulo que acompanhou a translado dos restos dos primeiros heróis a serem colocados no mausoléu: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo cujas iniciais formam a famosa sigla MMDC.



O monumento teve sua inauguração definitiva apenas em 9 de julho de 1960.

Galileu Emendabile dimensionou o monumento, instalado em uma área de 1932 m2 ,com base no número 9 em alusão à data do início da Revolução Constitucionalista: 09/07/1932. Diversas são as referências ao número 9 na obra, e mais algumas referentes ao números 7 e 32:

- São 9 os degraus que conduzem o acesso à cripta;
- Do fundo da cripta até o ponto mais alto do monumento são 81 metros (8+1=9);
- O obelisco mede 72 metros de altura (8+1=9);
- A raiz quadrada da medida da altura do monumento – 81 metros – resulta 9;
- A diferença das alturas 81-72 = 9;
- A base quadrangular maior, situada junto ao solo, mede 9 metros de cada um dos lados;
- A base quadrangular menor, situada junto ao vértice do obelisco trapezoidal mede 7 metros de cada um dos lados;
- A largura da cripta em cruz, medindo-se o braço menor, mede 32 metros;
- Observando-se o monumento de frente, o obelisco apresenta 32 projéteis de mármore ligados entre si por barras circulares de bronze, a figurar coesão;
- Cada face do obelisco tem 576 m2 (múltiplo de 9) de superfície, revestido em mármore travertino romano clássico e esculpidas em altos relevos.

Cada face do Monumento está orientada para os 4 pontos cardeais e cada uma delas, com suas respectivas esculturas em alto-relevo, representa os 400 anos da História de São Paulo quando da primeira inauguração do monumento.



A praça, da qual emerge o obelisco, simboliza “coração da terra mãe paulista” atravessado pela “espada do martírio”. Abaixo da praça encontra-se a cripta em forma de cruz grega sustentada por arcos que lembram as tradicionais arcadas da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, berço do Movimento de 32.



O Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932 é, antes de tudo, um sacrário da Lei e da Constituição, da Legalidade e da Legitimidade do Poder emanado do povo e em seu nome exercido.

Reinaugurado em dezembro de 2014, após mais de uma década fechado para reformas, o monumento encontra-se aberto à visitação pública de terça-feira a domingo, das 10 às 16 horas. A entrada é franca.

Referências



Acessos em 11/03/2016

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

CIVISMO SANTAMARENSE EM 32



"NÃO SÓ A CAPITAL, MAS O INTERIOR VIVE HORAS DE VERDADEIRO CIVISMO

Episódios interessantes colhidos pela reportagem da Folha da Manhã nas diversas estações por onde andou - O coração do povo santamarense

Em Santo Amaro, à noite embarcou o pequeno destacamento local. Ia alegre. Enquanto preparavam o automóvel, os soldados cantavam. Na hora da partida, um militar espigado, levante-se e fala ao povo apinhado: 

- Vamos por São Paulo! E deixando aqui o nosso coração, levamos o coração do povo de Santo Amaro.

O motor em movimento faz recuar o povo. E na noite tranquila e iluminada ecoa a palavra espontânea e simples do soldado"


Extraído do Jornal Folha da Manhã de 14 de julho de 1932

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

MAJOR AUGUSTO LYSIAS RODRIGUES



Nasceu no Rio de Janeiro (antigo Distrito Federal) em 23 de junho de 1896. Ingressou na carreira militar no Curso Fundamental da Escola Militar do Realengo, em 25 de março de 1916. No dia 17 de dezembro de 1918, foi declarado aspirante-a-oficial da Arma de Artilharia. Matriculou-se na Escola de Aviação Militar em 1º de julho de 1921. Depois de obter o diploma de Observador Militar, conquistou o brevê de Aviador Militar em 1922.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932 comandou o 1º Grupo de Aviação Constitucionalista – “Gaviões de Penacho”. Em 8 de agosto de 1932, pilotando seu avião Potez 25TOE derrubou avião ditatorial do mesmo tipo sobre a cidade paulista de Buri. Esse foi o primeiro avião abatido em combate aéreo na América do Sul.


Avião Potez 25TOE da Aviação Constitucionalista

Gavião de Penacho (Foto D.Meller)

Com o término da Revolução, o major Lysias foi reformado pelo Governo Provisório e exilou-se na Argentina.

Em 1934 foi anistiado e reintegrado à Aviação do Exército.

Publicou vários livros: “Gaviões de Penacho” – 1933; “História da Conquista do Ar” – 1937; “Roteiro do Tocantins” – 1943; “O Rio dos Tocantins” – 1943.

Escreveu mais de duzentos artigos em jornais brasileiros sobre temas diversos. Entre eles, Geografia, História, Sociologia, Geopolítica e Aviação.

Foi um dos fundadores da Força Aérea Brasileira em 1941. Foi transferido para a reserva remunerada em 13 de abril de 1945 no posto de Major-Brigadeiro-do-Ar.

Faleceu aos 60 anos de idade no Rio de Janeiro em 21 de maio de 1957. Seus restos repousam no Mausoléu ao Soldado Constitucionalista do Ibirapuera. 


Referências

RODRIGUES, Lysias Augusto. Gaviões de Penacho: a luta aérea na guerra paulista de 1932 – 2ª Edição – Rio d Janeiro: Instituto Histórico - Cultural da Aeronáutica; Editora Luzes Comunicação, Arte e Cultura, 2000.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CORONEL MELLO MATTOS



Cristovão Colombo de Mello Matos, filho de Carlos Esperidião de Mello Mattos e Maria Cristália de Albuquerque de Mello Mattos nasceu em 17 de fevereiro de 1873 no estado de Minas Gerais. Foi admitido no Exército Brasileiro como soldado em 1890. Por bom desempenho suas funções, foi admitido na Escola Militar da Praia Vermelha de onde saiu com o posto de Alferes da Arma de Cavalaria em 01 de março de 1901. Promovido a segundo-tenente em 1907 e a primeiro-tenente no ano seguinte.  A capitão em 1917 e a major em 1920. Em 1923 atinge o posto de tenente-coronel. Serviu, entre outras unidades, no 2º Regimento de Cavalaria, Corpo de Alunos da Escola Militar do Realengo, 9º Regimento de Cavalaria e ainda comandou o 5º Corpo de Trem da 3ª Região Militar.

Na Revolução Constitucionalista de 1932 teve importante participação. Já na reserva do Exército ofereceu seus serviços ao comando revolucionário por intermédio do amigo de longa data General Isidoro Dias Lopes que redigiu a seguinte carta:

“General Klinger – Cordiais Saudações – Apresento-lhe o coronel Cristovão Colombo de Mello Mattos.

Sua fé de ofício para o presente momento é esta: desde que São Paulo, há já mais de um ano, começou a ser humilhado, espezinhado e saqueado pelos asseclas da ditadura, Mello Mattos, com dedicação sem par, ao meu lado e ao lado do maior animador da resistência em defesa de São Paulo – bravo Coronel Theopompo – foi um emérito lutador que não poupou e não poupa sacrifícios em prol da causa que defendemos. Para ele não peço reparação, nem prêmio, porque disso ele não cuida, mas simplesmente uma missão, um posto, um serviço qualquer de utilidade a nossa causa.

Com maior estima, o camarada e amigo general Isidoro”

General Isidoro Dias Lopes - Generalíssimo da Revolução de 32


O General Klinger concedeu-lhe então o comando da Praça de Santos (Setor Litoral) em substituição ao General Brasilio Taborda então nomeado comandante do Setor Sul.

General Bertholdo Klinger - Comandante das operações militares da Revolução de 32


O coronel Mello Mattos comandou a Coluna Mello Mattos composta pelas seguintes unidades: Companhia Isolada do Exército de Santo Amaro, Batalhão Ferragista, Guarnição do Forte de Itaipú e homens do Tiro Naval de Santos.

Entregou para a campanha “Ouro Para a Vitória” seu relógio de ouro Patek Phillippe que foi rifado em 100 bilhetes de 50 mil réis cada, contribuindo assim materialmente para o esforço de guerra paulista.  

Relógio Patek Phillippe semelhante ao doado pelo coronel


Faleceu em 26 de julho de 1955.

O Decreto Estadual 40.329 de 5 de julho de 1962 autorizou a transferência dos restos mortais do coronel Mello Mattos para o Mausoléu do Soldado Constitucionalista do Ibirapuera.


Referências

Jornal Folha da Noite de 17 e 22 de julho de 1932

Arquivo Histórico do Exército


www.patek.com





segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A COMPANHIA DE SANTO AMARO EM 1932 NA OBRA DE PAULO NOGUEIRA FILHO – 2ª Parte

Continuando o post de 09/09/2015, apresentamos mais uma referência aos voluntários de Santo Amaro na Revolução Constitucionalista de 32 contida na obra de Paulo Nogueira Filho.

No primeiro tomo, quarto volume do livro “A Guerra Cívica” narra o autor os acontecimentos dos quais tomou parte a Companhia Isolada do Exército de Santo Amaro (CIESA) no mês de agosto de 1932.

Mais uma vez, com o escopo de preservar, resgatar e dar conhecimento às novas gerações sobre a participação dos soldados de Santo Amaro na grande Epopeia de 32 transcrevemos abaixo mais uma parte da obra deste grande paulista.





PAULO NOGUEIRA FILHO

“XVII – Litoral Sul - O destacamento do coronel Melo Matos estendia sua área de atuação ao sul, até os limites do Estado do Paraná. Zona imensa na sua extensão e abrangendo dois vastos setores, igualmente sujeitos à invasão do inimigo: o das praias ia das de Itanhaém à Peruíbe até a da Liga, bem mais ao sul; o da hinterlândia abrangia uma centena de municípios, possuindo o mais precário dos sistemas de comunicações existente na época. Toda essa vasta extensão territorial, aberta em diversos pontos à penetração das forças sulinas, cujos efetivos, segundo os comunicados oficiais, crescia de dia para dia, era guardada apenas pelos moços que em Santo Amaro, sub o auspício do prefeito local, formaram, sob o comando do tenente Luis Martins de Araújo, a Companhia Isolada do Exército, nas condições já vistas.

Nos primeiros dias de agosto, parte do efetivo dessa unidade, já então na ponta da linha Santos-Juquiá, teve por missão ir ao encontro dos retirantes constitucionalistas, que de Apiaí desciam a serra por Iporanga, a fim de atingir o Vale do Ribeira, num esforço heroico para não se entregar ao inimigo, depois da desastrada queda da Capela do Ribeira. O encontro dos soldados de Santo Amaro com os que enfrentaram o episódio da retirada de Apiaí representou, para os primeiros, um quadro inesquecível de colorido dantesco. A ele me referirei com minúcias logo a seguir, no próximo capítulo.

Contudo, quero desde logo assinalar que, socorridos os feridos, reanimados os homens válidos, voltaram os retirantes à luta, seguindo para a Capital, via Santos, cidade esta que lhes ofereceu a mais carinhosa e alentadora acolhida.

Mas, se era natural que assim sucedesse, não era menos plausível que os ditatoriais, dispondo de recursos de toda ordem, viessem no encalço dos retirantes. Na previsão dessa eventualidade, Melo Matos entende-se com o tenente Araújo para que uma força da Companhia de Santo Amaro desse cobertura aos homens de Apiaí, naqueles momentos de angústia, até que se clareasse a situação. Para essa missão delicadíssima foi destacado um contingente, composto de homens destemidos, tendo a frente o tenente, subcomandante Mouphir Monteiro. Essa força pequena, mas decidida e bem comandada, postou-se nas imediações da então cidade de Xiririca, hoje Eldorado.

A CIDADE DE ELDORADO NOS DIAS DE HOJE

Aconteceu, porém, que o pior que esses bravos esperavam não sucedeu. O inimigo, ou pelo menos o grosso das forças vitoriosas em Ribeira, diante dos terríveis obstáculos a enfrentar – os mesmos que os constitucionalistas transpuseram – não prosseguiram na perseguição dos vencidos. Ficaram nas alturas de Iporanga e na Estrada São Paulo – Curitiba.

Não obstante, vindos das bandas do Paraná, uma força ditatorial de cavalaria estaciona em Xiririca. É numerosa e está bem municiada. Mouphir raciona com inteligência: tratar-se-ia da vanguarda de uma tropa destinada a marchar por terra para Santos. Não vacila: vai ao seu encontro e trava com ela embate de que os constitucionalistas saem integralmente vitoriosos.  O valoroso voluntário João Stevenson telegrafa a Pedro de Toledo: “Tenho a honra de participar ao amigo que ontem, após o combate, nossa Companhia de Guerra de Santo Amaro, sob o comando do tenente Mouphir, derrotou tropa da ditadura. Foram secundados por soldados tenente Feliciano da Força Pública. Entramos vitoriosos em Xiririca às 10 horas do mesmo dia. Os adversários tiveram duas baixas, quatro feridos e cinco presos. Apreendemos cavalos, fuzis e grande cópia de munições. Os nossos soldados se portaram com brilho inexcedível.”

Os ditatoriais recuam em direção à fronteira do Paraná, mas detêm-se aqui e ali, recebendo reforços. De todo modo a Companhia Isolada do Exército, cujos efetivos crescem à medida que a luta aumenta, não só detém as forças ditatoriais da região, postas sob o comando do coronel Francisco Trota, mas também avança resoluta em direção à fronteira com o Paraná. Por incrível que pareça, o coronel Melo Matos, no comando da praça de guerra de Santos e do litoral sul, malgrado seus reduzidos efetivos e a deficiência de suas armas e munições, ainda encontra meios de enviar Oscar Stevenson como ligação ao coronel Taborda, em Itapetininga, visando providências de alcance estratégico! Mas essa é uma outra história, uma odisseia que o próprio autor, por certo, contará.”

REFERÊNCIAS

NOGUEIRA FILHO, Paulo. A Guerra Cívica 1932: Ideais e Lutas de um Burguês Progressista, 4º Volume, 1º Tomo, p.253/254. São Paulo: Editora José Olympio.

Prefeitura Municipal da Estância Turística de Eldorado http://www.eldorado.sp.gov.br/ (acesso em 18/01/2015)



quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

CORONEL ROMÃO GOMES

“Como é possível conseguir de uma tropa que conserve sempre o espírito ofensivo dos primeiros dias, ou melhor, a eficiência cada dia mais aumentada? Muito fácil. Apenas três coisas deve fazer o chefe. Alimentar os homens, fazer-lhes justiça, conduzi-los. O que tudo se pode resumir nesta expressão: comandar a tropa!”
Romão Gomes, 1933

ROMÃO GOMES

Romão Gomes nasceu em 27 de junho de 1890 na cidade de São Manoel do Paraíso, São Paulo. Sentou praça na Força Pública de São Paulo junto ao 2º Batalhão de Caçadores Paulistas em 13 de julho de 1914. Promovido a cabo em 8 de julho de 1915, a furriel em 1º de outubro de 1916, a  2º sargento em 17 de março de 1917.  Em 1º de maio de 1921 matriculou-se como aluno do Curso Especial Militar do Corpo Escola (embrião da atual Academia de Polícia Militar do Barro Branco) de onde saiu declarado aspirante-a-oficial em 18 de janeiro de 1923. Foi promovido a 2º tenente em 14 de agosto de 1923, por estudo. Em 4 de novembro de 1924 foi promovido a 1º tenente e em 21 de julho de 1925 a capitão. Estas duas últimas promoções em decorrência de sua participação defendendo a legalidade na revolta tenentista de 1924 na cidade de São Paulo.

Participou ainda, novamente ao lado da legalidade, da Revolução de 1930 em São Paulo e no Paraná. Em todas as campanhas das quais participou recebeu elogios pela bravura, ardor militar e sentimento patriótico. Prestou ainda relevantes serviços ajudando a população durante o surto de gripe espanhola que assolou a capital em 1918. Quando promovido a capitão foi classificado no Curso Especial Militar inicialmente como professor de instrução militar e depois como titular da cadeira de matemática do referido curso.

De origem humilde, com muito esforço conseguiu concluir o 2º grau no Ginásio do Estado concomitantemente com o desempenho de suas funções na Força Pública. Demonstrando ainda grande determinação e empenho nos estudos, o “meganha” Romão conseguiu ser aprovado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Lá diplomou-se e colou grau no curso de ciências jurídicas e sociais em abril de 1932 (Turma 101).

Teve participação de destaque durante a Revolução de 1932. Já em 10 de julho desfilava pelas ruas da capital como comandante do 1º Batalhão Paulista de Milícia Civil (1º BPMC), batalhão composto basicamente por voluntários que atenderam o chamado da nobre causa constitucionalista. De todos os batalhões de voluntários constituídos durante a Revolução, talvez tenha sido o 1º BPMC o mais vitorioso. Formado por aproximadamente 450 jovens, teve apenas quinze baixas durante o conflito: 3 mortos e 12 feridos. Unido a outros batalhões formou a famosa Coluna Romão Gomes.  Este contingente esteve em combate no Setor Leste, divisa com Minas Gerais, nas cidades atendidas pela antiga Estrada de Ferro Mogiana como, por exemplo, São José do Rio Pardo, São João da Boa Vista, Águas da Prata, Caconde, São Sebastião da Grama, Casabranca, etc. A Coluna Romão Gomes ficou famosa por não ter perdido nenhuma batalha durante toda a campanha, por isso recebendo a alcunha de “Coluna Invicta”.

Romão Gomes (dir.) transmite ordens a um oficial na estação de Casabranca em setembro de 1932


Líder nato, dizia-se capaz de transformar qualquer jovem voluntário em um verdadeiro combatente a serviço da lei e da ordem. Os feitos de seu batalhão chegavam dia a dia à capital, pelos jornais e pelo rádio, fazendo de Romão Gomes um dos mais conceituados líderes militares da Revolução.

Devido ao enorme prestígio conseguido durante a campanha militar revolucionária, o então capitão Romão Gomes seria, durante o movimento, promovido a major e a tenente-coronel.

Ao final da Revolução foi preso e exilado. Anistiado, retorna ao país e recupera seu posto e sua patente na Força Pública. Em 1935 é eleito deputado para a constituinte estadual.

Em 1937, já no posto de coronel e após haver ocupado o cargo de Consultor Jurídico da Força Pública, integrou a primeira turma de juízes do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo do qual foi presidente entre 1939 e 1944.



Desde 15 de dezembro de 1975 empresta seu nome ao presídio da Polícia Militar de São Paulo.

Faleceu em 10 de janeiro de 1946, aos 55 anos, na cidade de São Paulo.

Seus restos repousam hoje no Mausoléu ao Soldado Constitucionalista do Ibirapuera.


REFERÊNCIAS

LEVY, Herbert – A Coluna Romão Gomes. São Paulo, Ed. Saraiva, 1933.

Jornal Folha da Manhã de 14 de setembro de 1932




http://www.arcadas.org.br